Contexto do Evento
No último dia 3 de julho de 2026, o XCI Fórum Permanente de Conselheiros e Ex-Conselheiros Tutelares do Estado do Rio de Janeiro foi realizado no Teatro Raul Cortez, em Duque de Caxias. Este evento, que tem grande relevância para a formação de conselheiros tutelares na região, foi organizado pela Associação de Conselheiros e Ex-Conselheiros Tutelares do Estado do Rio de Janeiro (ACTERJ) em parceria com os Conselhos Tutelares locais e a Prefeitura Municipal. Durante os três dias de programação, uma série de palestras, debates e capacitações estavam programados, visando disseminar conhecimento acerca do funcionamento dos Conselhos Tutelares, do Sistema de Garantia de Direitos, e de políticas públicas que atendem à infância e à adolescência.
Pousição da Promotora
A promotora de Justiça Elayne Rodrigues, em sua fala na cerimônia de abertura, destacou a importância da laicidade e da separação entre a religião e a atuação pública. Ao ser surpreendida por uma oração evangélica que precedeu o seu discurso, ela se sentiu na obrigação de manifestar sua discordância. Em sua intervenção, Elayne enfatizou que a manifestação de fé em um evento público contradiz preceitos constitucionais que garantem a liberdade de consciência e a neutralidade estatal em questões religiosas. “Eu me preparei para abordar o fortalecimento dos Conselhos Tutelares, mas fui interrompida por uma oração evangélica que não deveria ter ocorrido em um evento deste caráter”.
Impacto da Oração Evangélica
A inclusão de uma oração evangélica durante a abertura do fórum gerou um clima de desconforto e provocou um debate acalorado entre os presentes. Elayne ressaltou que, embora o evento fosse organizado por uma associação civil, o aspecto público da cerimônia exigia a observância dos princípios de laicidade. Para ela, evidentemente, isso também se traduz em garantir a todos os participantes o direito à sua própria crença sem imposições externas. “A fé é um direito privado que não deve ser amplificado ou imposto em um espaço onde a diversidade religiosa precisa ser respeitada”.

Laicidade do Estado
O princípio da laicidade do Estado é um dos pilares da democracia brasileira, conforme estabelecido na Constituição Federal. Este artigo, especialmente no seu artigo 19, inciso I, proíbe quaisquer entidades governamentais de promoverem cultos religiosos ou de estabelecerem relações de aliança com organizações religiosas. Essa laicidade é vital para a proteção dos direitos individuais de todos os cidadãos, garantindo que nenhuma fé predomine sobre as outras em contextos públicos. Elayne frisou que um evento do porte do fórum deveria ser um espaço de acolhimento para todos, independemente de suas crenças particulares.
Liberdade Religiosa
A liberdade religiosa é um direito humano garantido pela Constituição e é muitas vezes debatida em diversos contextos sociais e acadêmicos. Elayne reforçou que qualquer cidadão, independentemente da sua fé ou falta dela, deveria ter total liberdade para participar do encontro e que essa liberdade deveria ser respeitada pelas instituições e organizadores. Ela afirmou que sua intervenção não se tratava de um ataque a qualquer religião específica, mas sim de uma defesa da constitucionalidade e da proteção dos direitos universais.
Reação do Público
O incidente gerou reações diversas entre os participantes do evento, alguns apoiando a fala da promotora e outros manifestando descontentamento com sua intervenção. Uma mulher, localizada próximo à mesa de autoridades, tentou interromper Elayne durante sua fala, alegando que sua manifestação estava fora do contexto do evento. A promotora não se deixou abalar e reiterou sua posição, afirmando que falava em nome do Ministério Público, e que sua responsabilidade era a proteção dos direitos fundamentais, que inclui a liberdade de religião.
Importância dos Conselhos Tutelares
Os Conselhos Tutelares desempenham um papel essencial na proteção e promoção dos direitos das crianças e adolescentes. Eles são o ponto de referencia quando se trata de atendimento a violações de direitos e políticas de proteção. Durante o Fórum, as discussões focavam em como fortalecer esses conselhos e garantir que sua atuação seja eficaz e abrangente, considerando sempre a diversidade e a pluralidade de crenças de nossa sociedade.
Debate sobre Inclusão Religiosa
A discussão levantada pela promotora trouxe à tona a questão da inclusão religiosa em eventos públicos. É fundamental discutir até onde vai a liberdade de manifestação religiosa em ambientes que deveriam ser neutros. As opiniões divergem, e a jurisprudência também não possui uma posição uniforme a respeito do tema. Especialistas destacam que cada situação deve ser analisada conforme seu contexto e a forma como as instituições se relacionam com as manifestações religiosas.
Interferência no Discurso
Quando interrompida, Elayne manteve a firmeza em sua argumentação, afirmando que não se permitiria interferir em sua fala. Sua postura, não apenas como promotora, mas como cidadão, foi expressa claramente, enfatizando que a liberdade de expressão é um direito constitucional que deve ser defendido por todos, especialmente em fóruns onde discussões acerca de direitos sociais são tratadas.
Princípios Constitucionais em Jogo
Os princípios constitucionais que a promotora trouxe à tona estão alinhados com os direitos garantidos a todos os cidadãos brasileiros. A Constituição, em seus artigos, destaca o direito à liberdade de crença, bem como a proibição de qualquer forma de discriminação religiosa. A discussão no fórum sobre esses princípios se torna cada vez mais pertinente, dado o aumento das tensões em relação à expressão religiosa em espaço público. A importância de uma discussão respeitosa e fundamentada sobre a laicidade do Estado e a liberdade religiosa é fundamental para o fortalecimento da democracia.
O caso levanta uma reflexão profunda sobre a forma como os valores e direitos fundamentais devem ser respeitados e como as instituições públicas need to be cautious a respeitar as diversidades que compõem a sociedade brasileira. Uma compreensão mais clara sobre a laicidade e suas implicações pode contribuir para eventos futuros serem mais respeitosos e inclusivos.


